- Autor
- PEDRO RAMOS DOLABELA CHAGAS
- Orientador(a)
- VIRGINIA DE ARAUJO FIGUEIREDO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2010
Esta tese defende que um câmbio epistemológico amplo ocorreu nas humanidades ao redor e a partir da década de 1970. Para fundamentar esta proposição histiográfica, um antigo problema filosófico servirá como referência para a observação das diferenças entre a episteme que este trabalho passa a considerar """"passada"""" e aquela que emergiu recentemente: o problema das relações entre arte e política. Observada a maneira como ele foi equacionado pela estética alemã do Iluminismo, Idealismo e Romantismo - dando origem a um panorama conceitual de """"longa duração"""" - estabeleceremos comparações sistemáticas com proposições recentes que subvertem os seus fundamentos epistemológicos anteriores. As diferenças no tratamento das relações entre arte e política serão, desse modo tomadas como guia para a investigação de uma mudança epistêmica ampla: ao abrigarem inúmeros temas atinentes à epistemologia contemporânea e à problemática atual das teorias da literatura e da arte, os novos equacionamentos daquela questão revelam e ecoam transformações no panorama global do pensamento. Este trabalho apresentará e comentará essas transformações seletivamente, indo encerrar-se com algumas considerações sobre as direções que elas sugerem, hoje, para a a teoria e a crítica de arte. Os seus quatro capítulos centrais compreendem 1) uma análise parcial do cenário histórico, intelectual e artístico da década de 1960; 2) uma apresentação tipológica dos conceitos estético-políticos da episteme iluminista-romântica-idealista e das suas aporias de """"longa duração""""; 3) uma discussão das reações àquelas aporias apresentadas, a partir da década de 1970, pela história, pela crítica e pela teoria da literatura e da arte, assim como pela teoria da evolução e pelos estudos da complexidade; 4) a derivação, da nova episteme, de modos alternativos de descrição das relações entre a arte (enquanto experiência individual e fenômeno coletivo) e a política (enquanto diferenciação das disposições imanentes da subjetividade).
