- Autor
- Michel Foucault
- Revista
- Prometeus - Journal of Philosophy
- Ano
- 2013
- DOI
- 10.52052/issn.2176-5960.pro.v6i13.1551
- Idioma
- pt
Hoje eu gostaria de começar analisando as primeiras ocorrências da palavraparrhesia na literatura grega, como a palavra aparece nas seguintes seis tragédias deEurípides:(1) Fenícias; (2) Hipólito; (3) As Bacantes; (4) Electra; (5) Íon; (6) Orestes.Nas primeiras quatro peças, a parrhesia não constitui um tópico importante outema; mas a própria palavra geralmente ocorre num contexto preciso que nos ajuda noentendimento de seu significado. Nas últimas duas peças – Íon e Orestes – a parrhesiaassume um papel muito importante. De fato, eu penso que Íon é inteiramente consagradoao problema da parrhesia, uma vez que investiga a questão: Quem tem o direito, o devere a coragem de falar a verdade? Esse problema parrhesiástico em Íon é levantado naestrutura das relações entre os deuses e os seres humanos. Em Orestes – que foi escritodez anos mais tarde e, por essa razão, é uma das últimas peças de Eurípides – o papel daparrhesia não é nem de longe tão significativo. E ainda assim a peça contém uma cenaparrhesiástica que garante a atenção na medida em que é diretamente relacionada aquestões políticas que os atenienses estavam então levantando. Aqui, nessa cenaparrhesiástica, há uma transição concernente à questão da parrhesia tal como ela ocorreno contexto das instituições humanas. Especificamente, a parrhesia é vista como umaquestão tanto política quanto filosófica.
