- Autor
- Andrea Mazzola
- Revista
- Perspectivas
- Edição
- 8 / 1
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.20873/rpv8n1-59
- Páginas
- 19-42
- Idioma
- pt
Este trabalho propõe-se atingir dois objetivos: o primeiro é o de reportar para a cultura brasileira uma recente contribuição historiográfica sobre a “ambígua visão” da matéria em Galileu; o segundo é o de desenvolver algumas reflexões filosóficas a partir das sugestões presentes no imaginário do grande cientista italiano. Por um lado iremos abrir uma brecha na interpretação convencional do mecanicismo do Galileu; por outro lado, iremos propor uma operação hermenêutica que visa atualizar o imaginário especulativo de um dos pais da revolução científica do século XVII através da sua comparação com a filosofia do organismo do Alfred North Whitehead - o qual propôs a sua doutrina em alternativa ao mecanicismo materialista -, e com a “física eurítmica”, ou “física do devir”, defendida por José N. R. Croca e o seu grupo de investigação. De facto Galileu, na sua reforma da imagem escolástica do mundo, enfrentou o paradoxo da conciliação do continuo matemático com o atomismo físico, esboçando uma invulgar “solução emergentista”. Desvendar o horizonte metafisico do pensamento do Galileu facultará-nos um acesso histórico filosófico original as questões mais controversas da filosofia da ciência moderna e da mecânica quântica.
