A ANTÍGONA DE MARÍA ZAMBRANO E AS POSSIBILIDADES DE UMA VIDA QUEBRADA
Felipe Augusto Alves Soares, Jelba Erlinda Brooks Asencio
- Autor
- Felipe Augusto Alves Soares, Jelba Erlinda Brooks Asencio
- Revista
- Problemata - Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 17 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.7443/problemata.v17i1.78733
- Páginas
- 421-430
- Idioma
- pt
Este estudo articula a reinterpretação de Antígona realizada por María Zambrano ao conceito de "quebra" desenvolvido por Jota Mombaça, com o objetivo de explorar as possibilidades de uma vida ferida. A análise parte da tumba zambraniana como espaço de tempo, consciência e reconhecimento de si; em seguida, por sua vez, aproxima-se a "quebra" enquanto condição ético-estética de vidas atravessadas por feridas históricas e socialmente constituídas. Sustenta-se que Antígona permite pensar uma existência cuja ferida se converte em presença, palavra e resistência. Desse modo, o artigo relaciona a consciência trágica da personagem ao problema atual das vidas marcadas por violências familiares, sociais e políticas. A partir desse diálogo, busca-se evidenciar que a vida quebrada pode produzir modos de enunciação e permanência diante das forças que procuram silenciá-la, sem, com isso, converter a dor em virtude nem romantizar a violência que atravessa sua constituição histórica, social, política e simbólica.
