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A AVERSÃO DO CRISTIANISMO À NATUREZA EM FEUERBACH

Eduardo Ferreira Chagas

Autor
Eduardo Ferreira Chagas
Revista
Philósophos - Revista de Filosofia
Edição
15 / 2
Ano
2011
DOI
10.5216/phi.v15i2.10857
Páginas
57-82
Idioma
pt
2011Eduardo Ferreira Chagas. A AVERSÃO DO CRISTIANISMO À NATUREZA EM FEUERBACH. Philósophos - Revista de Filosofia, v. 15, n. 2, p. 57-82, 2011.2

Feuerbach deixa claro que a teologia cristã se relaciona negativamente ante a natureza. A depreciação ou desvalorização religiosa pela natureza tem consequências para o julgamento da natureza humana por parte da teologia, pois esta condena também a dimensão natural-sensível da natureza do homem e, frente a esta, enaltece o espírito. Precisamente porque a natureza expressa objetividade, necessidade, corporeidade, sensibilidade, é ela o negativo, por assim dizer uma prova dos limites da interioridade, do sentimento religioso, isto é, a barreira concreta que se opõe à ilusão de uma existência sobrenatural. Deste ponto de vista cristão, ela deve, portanto, ser eliminada, negada. Feuerbach argumenta que Deus (o todo supremo, a essência sublime), o qual a fantasia religiosa criou, é apenas uma representação fantasmagórica do gênero humano, uma construção subjetiva do homem, abstraída de todas as fronteiras e restrições da natureza, e a religião cristã serve ao homem como um meio, com o qual ele tenta livrar-se da natureza.