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“A ciência do sentir e do sofrer”: psicologia moral, experiência e injustiça em Rousseau e Shklar

João M. Nonato

Autor
João M. Nonato
Revista
Sofia
Edição
15 / 1
Ano
2026
DOI
10.47456/sofia.v15i1.49531
Páginas
e15149531-e15149531
Idioma
pt
2026João M. Nonato. “A ciência do sentir e do sofrer”: psicologia moral, experiência e injustiça em Rousseau e Shklar. Sofia, v. 15, n. 1, p. e15149531-e15149531, 2026.3

Este artigo explora a influência de Jean-Jacques Rousseau na teoria política de Judith Shklar. Argumento que Shklar herda de Rousseau não apenas elementos de uma psicologia moral, mas, sobretudo, uma sensibilidade psicológica voltada às experiências negativas do indivíduo ordinário. Parto da leitura de Men and citizens (1969), em que Shklar interpreta Rousseau como reformulador da psicologia introspectiva lockeana, atribuindo–lhe uma dimensão moral e política. Em seguida, examino, a partir da obra rousseauniana, as descrições do sentimento de injustiça como experiência ao mesmo tempo possibilitada por disposições naturais e mediada pelas relações sociais, que serve de fundamento psíquico para uma crítica normativa da realidade política. Por fim, investigo como, em The faces of injustice (1990), Shklar retoma essa herança para elaborar uma defesa agonística da democracia liberal, nascida da articulação de experiências situadas de medo, injustiça e sofrimento.