- Autor
- Kayk Oliveira Santos
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 24 / 1
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.31977/grirfi.v24i1.3575
- Páginas
- 50-61
- Idioma
- pt
No presente artigo, proponho examinar e explicitar a compreensão de Condillac da loucura e a relação desse fenômeno com o conceito de associação de ideias e com elementos de fisiologia. Nessa direção, concentro o escopo da investigação em duas obras do filósofo francês: o Ensaio sobre a origem dos conhecimentos humanos (1746) e o Dicionário de sinônimos (1951). Nos textos mencionados, o filósofo mobiliza uma concepção de loucura que está identificada com o desregramento da razão. O afastamento da razão, os erros e desvios do raciocínio encontram a sua chave explicativa no conceito de associação de ideias e na maneira com que essas se ligam na faculdade da imaginação. Todavia, no interior dessa explicação, se observa uma ambivalência acerca da fisiologia e do seu papel na configuração das experiências da loucura. Ora o filósofo atribui relevância aos argumentos de natureza fisiológica na compreensão das manifestações da loucura, ora relativiza a importância desses argumentos e a função da fisiologia na explicação dessas manifestações. Apesar dessa hesitação, fica estabelecido que a explicação condillaciana toma a associação de ideias como causa da loucura e não dissociada de um componente de natureza fisiológica. Uma vez identificada a gênese do desregramento da razão, o filósofo termina por sugerir um cuidado de ordem pedagógica como alternativa para prevenir a loucura e educar o espírito humano.
