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A constituição de sentido como acontecimento: Heidegger e a transformação da fenomenologia

Gabriel Lago de Sousa Barroso

Autor
Gabriel Lago de Sousa Barroso
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
20 / 1
Ano
2020
DOI
10.31977/grirfi.v20i1.1402
Páginas
17-38
Idioma
pt
2020Gabriel Lago de Sousa Barroso. A constituição de sentido como acontecimento: Heidegger e a transformação da fenomenologia. Griot : Revista de Filosofia, v. 20, n. 1, p. 17-38, 2020.2

O conceito de acontecimento é um dos temas centrais do pensamento de Heidegger e oferece um fio condutor para a compreensão de sua obra. Este artigo mostra como a gênese deste conceito está diretamente relacionada à transformação da fenomenologia empreendida por Heidegger ao longo de suas primeiras preleções em Freiburg (1919-1923) e fornece algumas indicações sobre a importância deste tópico para o desenvolvimento da ontologia fundamental em Ser e tempo. Nossa análise se divide em três partes. Em primeiro lugar, abordamos a relação entre a intencionalidade e mundo. O nexo do mundo é o espaço de constituição primário da experiência intencional. Essa relação aponta para a crítica de Heidegger à abstração da ontologia formal e para a estrutura do acontecimento como o modo em que se dá a experiência do eu concreto e histórico. A seguir, analisamos o conceito de fenômeno em Heidegger para distinguir sua filosofia da fenomenologia transcendental de Husserl. O elemento central dessa diferença reside na introdução da dimensão de acontecimento e situação no fenômeno, que não se encontra presente no modelo husserliano da intencionalidade. Por fim, apresentamos uma interpretação da relação entre vida fática, acontecimento e situação, para apontar algumas consequências da introdução do problema da história na fenomenologia.