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A crítica da retórica em Platão e Santo Agostinho: Górgias, De magistro e De doctrina christiana I, II, III

Luiz Rodolfo Godoy Michetti

Autor
Luiz Rodolfo Godoy Michetti
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
26 / 2
Ano
2026
DOI
10.31977/grirfi.v26i2.5852
Páginas
304-319
Idioma
pt
2026Luiz Rodolfo Godoy Michetti. A crítica da retórica em Platão e Santo Agostinho: Górgias, De magistro e De doctrina christiana I, II, III. Griot : Revista de Filosofia, v. 26, n. 2, p. 304-319, 2026.4

Este artigo examina as críticas dirigidas à retórica no pensamento de Platão e Santo Agostinho, mostrando que, embora partam de horizontes históricos e filosóficos distintos, ambos recusam a pretensão de autonomia do discurso persuasivo. No Górgias, Platão problematiza a retórica em sua dimensão política e argumenta que, por carecer de conhecimento do objeto e de explicação racional de seus procedimentos, ela não pode ser legitimada como verdadeira arte (tekhne), sendo reduzida ao domínio da experiência e da adulação. Em Agostinho, sobretudo no De magistro e nos livros I, II e III do De doctrina christiana, a crítica desloca-se para o problema da insuficiência dos signos e para a subordinação da palavra à verdade ensinada pelo Mestre interior. Desse modo, o artigo sustenta que, em ambos os autores, a legitimidade do discurso depende de seu vínculo com a verdade e de sua ordenação a um fim superior, o que impede que a retórica se apresente como técnica autônoma e moralmente indiferente.