A CRÍTICA DE DURKHEIM AO EPIFENOMENISMO EM PSICOLOGIA E SUAS IMPLICAÇÕES SOCIOLÓGICAS E FILOSÓFICAS
Rafael Henrique TEIXEIRA
- Autor
- Rafael Henrique TEIXEIRA
- Revista
- Trans/Form/Ação
- Edição
- 39 / 4
- Ano
- 2016
- DOI
- 10.1590/S0101-31732016000400002
- Idioma
- pt
O objetivo deste artigo é tomar a crítica de Durkheim ao epifenomenismo em psicologia para demonstrar o modo pelo qual sua sociologia mobiliza questões e problemas característicos da filosofia francesa de finais do século XIX. Primeiramente, descreveremos o recurso de Durkheim a teses advindas da filosofia, visando a apontar as insuficiências da psicofisiologia na definição da vida psíquica. Nessa ocasião, apresentaremos a consonância do ponto de vista de Durkheim com as concepções de seu contemporâneo, Bergson. Em seguida, demonstraremos que não se trata para Durkheim de simplesmente duplicar as teses da filosofia. A partir de uma analogia entre a consciência individual e a consciência coletiva, Durkheim tomará um pressuposto fundamental retirado da crítica filosófica ao epifenomenismo – a saber, a autonomia e a independência relativa do espírito para com seu substrato – e o estenderá à sua concepção de sociedade. Por fim, autorizados por Durkheim, que admite que o problema da gênese do coletivo a partir do individual é um problema sociologicamente insolúvel, destinado à metafísica resolver, evidenciaremos como a filosofia espiritualista, comemorada por Durkheim como prestando grandes serviços à ciência, poderia contribuir na elucidação desse problema.
