- Autor
- ITAMAR SOARES VEIGA
- Orientador(a)
- Ernildo Jacob Stein
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2007
A presente tese investiga a constituição do ser humano, o Dasein, na forma de um dos seus existenciais: a decaída. A partir de uma leitura de Ser e tempo, onde se destacam os existenciais compreensão, sentimento de situação e cuidado, busca-se explicitar a decaída através de dois eixos condutores: o cotidiano tematizado e o encobrimento do ser. O cotidiano tematizado assume a forma da cotidianidade que é tratada em Ser e tempo. O encobrimento do ser é destacado pela contribuição de uma leitura da conferência O que metafísica? feita em 1929, juntamente com a sua introdução (1949) e posfácio (1943). Desta forma, o encobrimento do ser atinge um grau ampliado, além da dimensão da analítica do Dasein. Este grau ampliado se coloca no todo da história da filosofia. A partir desta compreensão do encobrimento, torna-se possível especificar o eixo condutor pela temática do conhecimento, utilizando-se alguns constructos das teorias do conhecimento, sob a análise da analítica existencial e da decaída. A tese trabalha com os existenciais compreensão e sentimento de situação e também na maneira como se insere o recurso metodológico de Heidegger sob a forma dos indícios-formais. A utilização dos indícios-formais marca uma diferença entre Heidegger e a tradição e determina a possibilidade de manter a vida fática sob o foco de investigação. A tematização do cotidiano percorre toda a análise, principalmente quando esta se remete à própria obra Ser e tempo. Assim, o elemento da tematização do cotidiano se mostra como fator discriminador entre uma interpretação baseada na analítica existencial e uma interpretação encobridora baseada na metafísica. A tese analisa os existenciais e as principais condições do Dasein entre elas o ser-em e o ser-no-mundo, mostrando através deles o cotidiano tematizado e o encobrimento, que podem revelar um alcance na compreensão do existencial decaída. A tese demonstra que os elementos contidos na decaída podem ser utilizados para realizar uma análise da tradição filosófica, na medida em que esta se mostra encobridora do ser. A tradição filosófica, tomada na forma de constructos da teoria do conhecimento, é confrontada com o trabalho dos existenciais, principalmente, dos existenciais compreensão e sentimento de situação. O trabalho de análise investiga a forma do ser-aí fugir diante do seu estar-arrojado ao mundo. Esta fuga, tematizada pela decaída, determina um encobrimento do caráter de ser deste ente. Este encobrimento pode ser mostrado através do modo de ser do conhecer, isto significa um adentramento crítico na tradição filosófica. O modo de ser do conhecer é um modo do ser-em, esta situação do conhecer é obtida através de uma leitura da obra Prolegômenos para a história do conceito de tempo. Nesta obra, Heidegger afirma que o conhecer é um modo de ser do ser-em. Este modo de ser do ser-em não é, no caso do conhecimento, um modo de ser fundamental do ser-no-mundo. Este elemento do ser-em abre a possibilidade da pesquisa do conhecimento ser inserida dentro da leitura de Ser e tempo, na forma do existencial decaída. Assim se alcança uma explicitação da decaída, mostrando o quanto este existencial ainda pode ser explorado.
