A DESCONSTRUÇÃO DA COMUNIDADE E O SEU LUTO: Problematizações a partir de sua dessubjetivação
Deborah Spiga
- Autor
- Deborah Spiga
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 17 / 33
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2026v17n33p322-341
- Páginas
- 322-341
- Idioma
- pt
Neste artigo procuro mapear as diferentes especulações por meio das quais se pensou e repensou o termo “comunidade” nos últimos quarenta anos. Mostramos como o desejo alucinado por um “em comum” levou não apenas às derivas totalitárias do século passado, mas também não parou de atormentar o homem com seu espectro. Como falar da comunidade? Podemos dizer afirmativamente o que ela é ou, seguindo uma teologia negativa, apenas sustentar o que ela não deve e não pode mais ser? Procuramos traçar uma resposta a esta pergunta partindo da origem etimológica desse termo, fazendo interagir a pesquisa de Esposito, mais focada no munus da comunidade e o estudo de Nancy mais centrado no cum. Falaremos do “luto comunista” e da possibilidade que abre para repensar novas formas do “ser-com” e nossa co-existência. Salientamos, enfim, que é a partir da desconstrução do modelo político-religioso, do seu retrait que se poderá pensar uma política sem fundamento fazendo espaço para o “entre” que nós somos.
