- Autor
- Luciano Gatti
- Revista
- Revista Limiar
- Edição
- 12 / 23
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.34024/limiar.2025.v12.20993
- Páginas
- 169-209
- Idioma
- pt
O artigo analisa o romance Austerlitz, de W. G. Sebald, explorando a relação entre narrativa literária, documento histórico e fotografia. A partir do conceito de “narrador periscópico”, derivado de Thomas Bernhard, e das reflexões de Walter Benjamin e Roland Barthes sobre memória e fotografia, o artigo argumenta que Sebald, ao construir a biografia de seu protagonista, vale-se da montagem literária para colocar em questão a distinção rígida entre documento e ficção. O resultado é uma narrativa singular, que se apropria da dificuldade de constituição do testemunho como um problema ético para a literatura, seja pela exigência de recordar a catástrofe provocada pela II Guerra Mundial, seja pelo respeito às mediações necessárias para expor a história de seus sobreviventes.
