- Autor
- ÉDIL CARVALHO GUEDES FILHO
- Orientador(a)
- MARCELO AQUINO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2009
Esta pesquisa tem como objeto a compreensão de Karl Marx sobre a economia, tal como ela se elabora em sua obra madura, notadamente em Das Kapital. Ela apresenta a tese de que a ordem socioeconomica, no pensamento do autor estudado, compreende-se como um sistema de representação, como configuração significativa da vivência e da sociabilidade. Como principal hipótese, sustenta que é na caracterização do fetichismo dessa realidade, como sociabilidade invertida, reificada, negada em sua própria afirmação, pela autonomização radical do econômico na obra madura de Marx. Com isso, pois afirma-se que o fetichismo constitui categoria axial não apenas da crítica marxiana dessa economia detidamente investigada, mas também da reflexão sobre a natureza do econômico em Marx. Para demonstrar tal hipótese e defender a tese apresentada, a argumentação percorre quatro capítulos. No primeiro, a natureza filosófica da reflexão marxiana sobre a economia é explicitada, apresentando, ao final, a vinculação dessa reflexão à tradição do expressivismo ontológico na modernidade. No segundo, a dialética do fetichismo se expõe sistematicamente a partir do desdobramento das formas da vida econômica sob a relação-capital como uma idealidade representacional praxiologicamente ordenadora da realidade. No terceiro, a pesquisa faz emergir o conceito de representação em Marx e sua relação com o tema da economia, expondo em seguida os modos da representação na vida econômica, como relações de objetividade, intersubjetividade e transcendência. Revela-se, outrossim, neste capítulo, como a compreensão da ordem econômica como um sistema da representação se depreende da crítica da realidade do capital como fetichismo. No quarto e último capítulo, ao estudar-se a reflexão de Marx sobre as formas econômicas não-fetichistas, pré e pós-capitalistas, visa-se à confirmação extrema e ampla da mesma hipótese, de que toda realidade econômica em Marx compreende-se como um sistema da representação.
