- Autor
- Mara Rubia Rodrigues Freitas
- Revista
- Revista Enunciação
- Edição
- 8 / 1
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.61378/enun.v8i1.148
- Páginas
- 104 -123
- Idioma
- pt-BR
Para ser humano não basta ser dado à luz. É preciso ser pressuposto, visto, falado, antecipado como um alguém onde ainda há apenas um algo - um corpo em sua contingência. No processo de constituição do ser humano pelo encontro com o olhar e o dizer alheios, no entrechoque dos afetos que ali emergem, múltiplas vozes se tensionam, porém uma chamou nossa atenção pela potência civilizatória, orientada para gerar e nutrir a vida: a enformação de um sujeito pela palavra de amor de outro sujeito. Diante da “absoluta necessidade estética do outro”, no dizer de Bakhtin, atravessada pela presunção de que “amar é dar aquilo que não se tem”, na fala de Lacan, o que propomos é refletir sobre a constituição da subjetividade pela alteridade, na encruzilhada de duas abordagens: a ética bakhtiniana, assentada na singularidade responsiva, e a psicanálise lacaniana, fundada no reconhecimento do desejo. Quanto ao método de condução desta reflexão teórico-especulativa, ele consiste em duas etapas: evocação do Círculo de Bakhtin e de Jacques Lacan para iluminar dialogicamente conceitos e dinâmicas constitutivas do sujeito, da linguagem e do amor; reflexões sobre o processo de constituição-reconhecimento do sujeito pela via da palavra amorosa do outro.
