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A epistemologia pragmatista de John Dewey: uma filosofia da experiência

Edna Maria Magalhães Nascimento

Autor
Edna Maria Magalhães Nascimento
Revista
Filosofia e Educação
Edição
14 / 2
Ano
2022
DOI
10.20396/rfe.v14i2.8668377
Páginas
119-144
Idioma
pt
2022Edna Maria Magalhães Nascimento. A epistemologia pragmatista de John Dewey: uma filosofia da experiência. Filosofia e Educação, v. 14, n. 2, p. 119-144, 2022.2

Dewey desenvolveu um programa doutrinário que visa mostrar como o conhecimento se funda na experiência. Essa é a dimensão científico-naturalista da sua obra. Nesse sentido, o seu projeto consiste numa rigorosa argumentação contra as explicações em que a experiência e a natureza são apresentadas com base em distinções arbitrárias. Na obra, Reconstruction in Philosophy [Reconstrução em Filosofia], Dewey desenvolveu seu projeto metafísico de dimensão historicista, propondo uma reconstrução para a filosofia. Em Experience and Nature [Experiência e Natureza], ele apresentou uma visada científica para a metafísica.  Nessa obra, Dewey tenta pensar um sistema desenvolvido a partir da aplicação do método científico à filosofia tendo como base uma concepção filosófica da experiência. As concepções de Dewey acerca do conhecimento, do uso inteligente da razão e da natureza social da filosofia concorrem para a constituição de sua concepção de ciência. Nas duas obras fica evidente a sua crítica à noção tradicional de conhecimento como representação da realidade. Contra isso, Dewey passa a designar o conhecimento como um conjunto de “crenças” e “proposições” tomadas como garantias de usos ou assertividade garantida.  Dewey se opõe à forma pela qual o problema epistemológico é formulado pela tradição, ou seja, a partir de uma posição realista ingênua no qual o conhecimento é visto como representação, desconsiderando o processo de conexão entre as coisas e entre o conhecedor e as coisas.