- Autor
- Eduardo Lucas Alves Rodrigues
- Revista
- Aufklärung: journal of philosophy
- Edição
- 12 / 2
- Ano
- 2025
- Idioma
- pt
Em uma de suas obras mais famosas, A Farmácia de Platão, Derrida delineia questões cruciais sobre a escrita, que é analisada a partir de uma leitura dos diálogos de Platão, principalmente o Fedro. A escrita aqui é revisitada através do conceito de phármakon, entendida no interior de sua própria ambiguidade, sendo, ao mesmo tempo, veneno e cura para a memória, para o desenvolvimento da comunicação e do conhecimento humano. Se por um lado, as críticas às ambiguidades da escrita ao longo da história mostram, de acordo com Derrida, certa centralidade do lógos e da voz (do logocentrismo e do fonocentrismo) sobre o pensamento ocidental. Por outro, a partir de sua ambiguidade, vemos que a escrita é de suma importância para o pensar, apresentando-se enquanto suplemento do lógos. Assim, a partir dos argumentos de Derrida em A Farmácia de Platão e da compreensão de seus quase-conceitos; rastro (trace) e différance, pretendemos indicar como a escrita, a escritura e a Arqui-escritura se apresentam como condição do desenvolvimento do pensamento e, por isso, como condição própria da filosofia.
