- Autor
- Ulysses Pinheiro
- Revista
- Cadernos Espinosanos
- Edição
- 53
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2025.239947
- Páginas
- 17-55
- Idioma
- pt-BR
Este artigo se contrapõe às leituras usuais da teoria da verdade de Spinoza. Como é bem sabido, Spinoza afirma que as propriedades da ideia verdadeira têm ou bem um caráter intrínseco ou bem um caráter extrínseco ao próprio ser dessa ideia. Geralmente, os comentadores aceitam que a verdade, no sistema spinozano, deve ser definida ou bem a partir de uma dessas propriedades, ou bem da conjunção de ambas, divergindo apenas a respeito de qual é a função e o peso relativo de cada uma na definição da verdade. Contra esse pressuposto partilhado pelos intérpretes, segundo o qual a definição da verdade deve ser construída a partir das propriedades da ideia verdadeira, mostrarei que uma tal premissa falseia a compreensão spinozana da verdade. Esse falseamento ocorre porque não leva em conta que uma doutrina central do pensamento de Spinoza é a que afirma que uma coisa qualquer não se define nunca por suas propriedades, mas, ao contrário, são essas últimas que devem ser deduzidas da essência da coisa, estabelecida previamente a elas.
