A estética entre saberes antigos e modernos, na """"Nuova Scienza"""" de Giambattista Vico
Jose Expedito Passos Lima
- Autor
- Jose Expedito Passos Lima
- Orientador(a)
- Antonio José Romera Valverde
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
Este trabalho trata a questão da estética na nuova scienza de Giambattista Vico (1668-1744), em oposição à tradição de estudos que teve início com a interpretação de Benedetto Croce (1886-1952) : a defesa de um Vico “precursor” ou “criador” da Estética moderna, concebida como filosofia da arte. Para ultrapassar a tese croceana e de alguns estudiosos que a reproduziram ou buscaram completá-la, a pesquisa valeu-se das seguintes hipóteses interpretativas: i) a tese croceana é tendenciosa quando minimiza a importância de Baumgarten para enaltecer Vico na história da estética; ii) Croce segue uma lógica da “antecipação” para afirmar um Vico “criador” da estética moderna; iii) sua tese reduz a nuova scienza viquiana à estética e exclui desta última a herança retórica; iv) não era pretensão de Vico a criação da estética; v) Vico não tinha consciência de contribuir para o “advento” desta disciplina; vi) a nuova scienza viquiana não é a Estética e vii) a estética na nuova scienza não é uma disciplina filosófica particular, mas expressão do humano como saber dos sentidos. Nesta investigação adotaram-se alguns pressupostos quer estético, quer retórico, uma vez que necessários, dadas à especificidade do tema e à natureza de sua problemática. Outrossim, empreendeu-se um diálogo tanto com as fontes clássicas do pensamento viquiano, quanto com as modernas, para uma compreensão do horizonte cultural e filosófico em que se gestou a construção da nuova scienza de Vico: uma leitura igualmente hermenêutica da experiência do filósofo e de seu tempo. Deste estudo concluiu-se que a nuova scienza viquiana se inscreve num universo de saberes e interesses bem mais amplos: o das conquistas científicas do século XVII, mas que pretende uma investigação não sobre a natureza e sim sobre o mundo civil das nações. Na enciclopédia da nuova scienza viquiana, que reúne saberes antigos e modernos, a estética é apenas um momento desta organicidade, e não se identifica com uma scienza speciale. Trata-se, antes de qualquer coisa, do pressuposto onto-antropológico da experiência histórica humana em geral.
