- Autor
- HUGO FILGUEIRAS DE ARAUJO
- Orientador(a)
- Iraquitan de Oliveira Caminha
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ) — UFPB-JP
- Programa
- FILOSOFIA (UFPE-UFPB-UFRN)
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2012
RESUMO.A presente tese propõe uma leitura do Fédon, de Platão, centrada no tema da relação corpo/alma, que perpassa todos os argumentos do diálogo. Platão anuncia em seus textos o cuidado pela alma, por considerá-la a fonte do saber e da virtude e até mesmo o próprio “eu” do homem. O cuidado e a valorização da alma são tão essenciais para Platão que, em algumas partes do Fédon o filósofo ao relacioná-la com o corpo o considera como um certo tipo de prisão e obstáculo por entender que a sabedoria buscada por aqueles que se dedicam à filosofia, está além da sensibilidade (aísthesis) e, enquanto ao corpo estiver unida, a alma não alcançará a verdade na sua plenitude. Sendo o corpo parte da instância sensível, o filósofo frente a ele se põe numa atitude de desconfiança no exercício da filosofia, contudo, há de convir que em outros momentos Platão considera que é por ele (o corpo) e nele que começa a busca pela verdade, configurada pela reminiscência, reconhecendo assim o seu papel. O presente trabalho realiza um estudo sobre a relação corpo/alma, considerando que é possível estabelecer uma leitura unificada dos diferentes modos como ela se apresenta a partir de uma dimensão estética: Platão discursa sobre os cuidados que se deve ter no trato com o corpo porque a alma a ele associada sofre influência da sensibilidade que, mesmo impondo obstáculos ao conhecimento, é o meio e instrumento, através dos sentidos, para que possa haver aprendizado sobre as coisas. No decorrer da tese, alguns problemas serão resolvidos, pois declarar que a alma, afim das Formas imutáveis, pode sofrer mudança parece ser estranho. O impasse é resolvido com o auxílio de outros diálogos: República, Timeu e Fedro, que entendem a alma como uma realidade de natureza mista, sendo um metaxú, um intermediário, entre o divisível e o indivisível, o Outro e o Mesmo, o mutável e o Imutável. Por fim, a tese incorrerá na afirmação de que Platão está propondo no Fédon um projeto que ensina os homens à prática do domínio de si.
