- Autor
- Marcos Alexandre Alves
- Revista
- Thaumazein: Revista Online de Filosofia
- Edição
- 2 / 3
- Ano
- 2014
- Idioma
- pt
Objetiva-se, na presente investigação, analisar como se articula, no interior da obra “O Príncipe” de Maquiavel, a questão referente à moral. Esta tem sido objeto de discussão intensa e por muitos, considerada o ponto central de sua teoria. Algumas análises d’O Príncipe chegam a considerar essa obra como a que foi responsável pela separação entre a moral e a política, ou seja, esses dois princípios não passariam a reger a vida do governante, o qual deveria escolher entre um deles. No entanto, o que se pretende, aqui, não é analisar O Príncipe sob a perspectiva do separador entre política e moral, mas sustentar que Maquiavel n’O Príncipe, não traduziu a separação entre moral e política, mas somente apresentou como correta uma moral diferente daquela que o cristianismo prega; uma moral baseada nos princípios da Antigüidade, do Império Romano. Portanto, intenciona-se, apresentar e defender que Maquiavel não emancipou a política da ética ou da religião. O que fez foi a distinção entre duas modalidades de moral: a judaico-cristã e a pagã. Sob esta perspectiva, não haveria divórcio entre a política e a ética que muitos autores atribuem a Maquiavel. Defender-se-á, em última analise, que Maquiavel como renascentista procura inspirar-se nos modelos greco-romanos e não cristãos.
