- Autor
- BRUNO ALMEIDA GUIMARÃES
- Orientador(a)
- JOSÉ HENRIQUE SANTOS
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
O título desta tese, A ética desde Lacan, é uma paráfrase da expresão """"a razão desde Freud"""", que aparece no título de um escrito de Lacan, e pretende nomear uma investigação a respeito das contribuições que resultaram do impacto crítico da teorização psicanalítica sobre o debate ético, sobretudo a partir da intervenção do psicanalista francês. Analisando o campo da ética a partir dos conceitos freudianos, Lacan demonstra que o princípio da realidade, pensando como princípio retificador, é precário para garantir coordenadas éticas do comportamento do indivíduo. A pulsão de morte, por sua vez, se apresenta nesse mesmo campo através da afirmação do mandamento moral contra o prazer e reproduz uma exigência sempre maior de renúncia quanto mais é atendida. Assim, o regime do gozo masoquista se instaura junto com a lei. Isso representa o paradoxo da exigência de um dever que retira sua energia da própria pulsão de morte, sem que esse processo jamais se faça conhecer pela própria consciência moral. O conceito de real é apresentado para nomear a presença atuante dessa morbidez pulsional que resiste à simbolização. Uma vez demonstrado o impasse desse imperativo incondicional de gozo, que se verifica tanto na satisfação direta quanto na renúncia, acompanhamos a tentativa de Lacan de encontrar outros modos de apresentação do real diferentes daquele determinado pelo comando superegóico. Concluímos com o autor que a melhor maneira de lidar com o real é fazer um certo uso do gozo que não implique nem em assumir a posição masoquista de submissão total ao comando do Outro, nem em reinvindicar o gozo perverso da transgressão. A partir daí, aproximamos a proposta teórica do último Lacan de outros projetos filosóficos contemporâneos no plano prático para mostrar a importância e a atualidade da teoria lacaniana para o debate ético.
