A Exigência da Fundamentação do Sistema da Filosofia Transcendental sob o Princípio Absoluto do “Ich bin” em J. G. Fichte
LUCIANO CARLOS UTTEICH
- Autor
- LUCIANO CARLOS UTTEICH
- Orientador(a)
- Eduardo Luft
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2007
Fundando o Sistema no pressuposto da Física e da Matemática, Kant reduziu o procedimento transcendental da Filosofia ao executado pelas ciências particulares, permanecendo sem ser elucidado o conceito de Filosofia como ciência autônoma, primeira e fundamental..Às carências conservadas por essa sistematização opuseram-se os primeiros pós-kantianos. K. L. Reinhold forneceu para “primeiro princípio” da Filosofia a forma do Princípio da Consciência. Aqui iniciou o debate do caráter constitutivo do “primeiro princípio” para fundamentação do Sistema da Filosofia transcendental. Como etapa necessária à definição da Filosofia, a consideração do poder originário da “Faculdade de Representação”, em que a atividade da consciência é capacidade de “distinguir” os elementos componentes de toda proposição cientificamente fundada, torna relevante pensar a execução, na própria consciência, da referência da “representação” ao sujeito e ao objeto. Enquanto poder de distinção, essa execução se delineia como o único “a priori” relevante à Filosofia, na refutação do apriorismo formal kantiano. Na medida em que faltava fundamentar esse primeiro princípio segundo um estatuto “transcendental”, o terreno preparado por Reinhold conduz a Fichte, para assentar este fundamento de modo puro e transcendental. .A fundamentação do Sistema do pensamento puro amparado em um único princípio é expressa na concepção fichtiana da Doutrina da Ciência. Na reformulação do princípio da “consciência” de Kant e de Reinhold, o primeiro princípio em Fichte demonstra como a ciência possível apresenta-se invariavelmente fundada numa “atividade pura”, a espontaneidade transcendental. É tarefa da Filosofia expor essa atividade pura (Eu sou) no poder sistematizante da razão fundada em Primeiros Princípios. Tal Saber fundamental apresenta o primado da razão como primado prático, no ajustamento do processo efetivo do conhecimento à sua realidade originária, o domínio prático. Assim, toda ciência possível se mostra como assentada primeiro neste terreno radical, a partir do incondicionado da razão humana, cuja forma expressiva é um sujeito incondicionado, que funda tanto o conteúdo (matéria) da ciência, quanto a matéria transcendental (forma) do conhecimento filosófico.
