A facticidade do para-outro na perspectiva do olhar e da vergonha
Carlos Henrique Carvalho Silva
- Autor
- Carlos Henrique Carvalho Silva
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 31
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.36517/Argumentos.31.6
- Páginas
- 62-73
- Idioma
- pt
O presente artigo tenciona compreender a experiência primordial da existência do Outro, apresentada por Jean-Paul Sartre na terceira parte de O ser e o nada. Para que o nosso intento seja efetivamente compreendido, organizamos esta leitura em três momentos devidamente articulados. No primeiro momento é essencial esclarecer como o filósofo francês delimitou o problema do solipsismo como obstáculo constituído pelas filosofias realistas e idealistas que de uma forma geral vai negar as condições de possibilidade da existência do outro, bem como, a descrição crítica que vai questionar a permanência das teorias solipisistas na contemporaneidade legada por Husserl, Hegel e Heidegger. A partir desta crítica iremos conduzir nossa leitura ao segundo momento que consiste em estabelecer a compreensão da existência do Outro mostrando como este aparece e afeta a vida cotidiana do sujeito, sobretudo, porque o Outro requer a presença de um corpo e uma consciência distinta do sujeito. No último momento, daremos ênfase a interessante abordagem do olhar e da vergonha, este sentimento original que despe a consciência de qualquer certeza de que se encontra isolada no mundo. Assim, a experiência da vergonha passa a ser compreendida como desvelamento da consciência do sujeito que se percebe “invadida” pelo olhar do Outro efetivando, assim, a existência do outro na relação concreta.
