- Autor
- JANE RANGEL ALVES BARBOSA
- Orientador(a)
- AQUILES CORTES GUIMARAES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2005
A educação por si mesma não produz mudanças, mas nenhuma mudança é possível sem educação. Nessa perspectiva, o objetivo de uma educação de qualidade para todos só adquire sentido em função de um projeto maior da sociedade brasileira, que passe pela construção de uma sólida ordem democrática e de um desenvolvimento econômico competitivo internacionalmente, mas fundado na equidade interna. Tudo parece indicar que existe uma defasagem entre teoria e a prática da democracia. A partir da obra de Rousseau, foram registrados os pressupostos para a realização da democracia e da educação para um novo contrato social. O retorno a Rousseau se justifica por situar-se seu pensamento na transição de uma tradição filosófica não-democrática a uma democrática, que o obriga a manter juntas a crítica social e a crítica política, o que numa e noutra tradições poucas vezes se encontra. Assim, para Rousseau, a democracia se constitui através de um sujeito e uma mecânica únicos para a resolução de ambas as críticas, questão esta que coloca, a meu modo de ver, os verdadeiros parâmetros de sua realização prática. Proponho o enfrentamento dos desafios do desenvolvimento social, a fim de que se possa construir uma nova era em que toda a humanidade esteja colocada no centro de sua própria obra, tendo a democracia como valor e único instrumento capaz de atender ao sentido da educação para a cidadania, e para um novo contrato social. Ao acreditarmos ser impossível formar o homem e o cidadão nos termos propostos por Rousseau, refletir nosso momento educacional à luz de sua obra, nos intriga incessantemente a pensar não em identificar não um culpado para os nossos problemas, eventualmente Rousseau, mas contribuir para entender-nos como parte de um processo histórico em que se perpetua a falta de cidadania.
