A filosofia da linguagem em Platão (diálogos Parmênides, Crátilo, Sofista e Timeu)
André Antônio Ribeiro
- Autor
- André Antônio Ribeiro
- Orientador(a)
- Reinholdo Aloysio Ullmann
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
Platão desenvolveu a Teoria das Idéias para resolver problemas referentes ao significado da linguagem. O problema é que, esta Teoria graves inconsistências, detectadas no diálogo Parmênides, sendo a não menos importante o fato de ela não explicar como as Idéias se relacionam com o mundo sensível, o que é o mesmo que dizer que elas são incognoscíveis. A autocrítica que Platão faz a sua própria teoria mostra que suas dificuldades vêm do fato de as Idéias serem concebidas como unas, e elas são concebidas como unas por causa da proibição de Parmênides de se unir Ser e Não-Ser, pois, segundo o pensador de Eléia, o Não-Ser não pode ser dito ou pensado. Ora, sofistas e retóricos baseavam-se nessa mesma proibição para defender concepções de linguagem que afirmavam que é impossível falar falso, é impossível contradizer, todas as frases negativas são falsas, apenas juízos de identidade são possíveis, tudo o que falamos é verdadeiro. Platão, através de uma crítica à sua própria Teoria e às concepções de linguagem defendidas pelos sofistas, reformulará em aspectos importantes a sua Teoria. O que queremos enfatizar neste trabalho é que, para essa reformulação, Platão utilizará a linguagem, tal como a usamos no dia-a-dia, como paradigma para resolver os problemas da Teoria das Idéias, de modo que ela possa, sem aporias, ajudar no entendimento das diferenças entre linguagem significativa e não-significativa. Ou seja: tentaremos mostrar que, se a Teoria das Idéias foi postulada para garantir a significação lingüística, a linguagem, por sua vez, servirá como modelo para ajudar a mesma Teoria a superar seus problemas. A perplexidade sobre como relacionar Ser com o Não-Ser só se desfaz, quando Platão nota que nós fazemos tais relacionamentos ao usarmos a linguagem cotidianamente. Assim, a linguagem e sua estrutura serão usadas como paradigma para o entendimento da correta inter-relação dos conceitos metafísicos.
