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A filosofia e seus outros: entusiasmo e fanatismo nos séculos 17 e 18

Felipe Cordova

Autor
Felipe Cordova
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
22 / 1
Ano
2022
DOI
10.31977/grirfi.v22i1.2559
Páginas
12-21
Idioma
pt
2022Felipe Cordova. A filosofia e seus outros: entusiasmo e fanatismo nos séculos 17 e 18. Griot : Revista de Filosofia, v. 22, n. 1, p. 12-21, 2022.4

As noções de entusiasmo e fanatismo, por sobre estarem associadas ao fenômeno concreto do fervor religioso à época da Reforma, foram também, ao longo dos séculos 17 e 18, o objeto de uma literatura que construiu uma imagem específica dos assim chamados entusiastas, fossem eles os puritanos ingleses, os profetas huguenotes ou os convulsionários jansenistas. Ao construir essa imagem, a literatura – filosófica, médica ou satírica – produziu ao mesmo tempo a imagem especular de si mesma, ora como pura alteridade em relação ao fanático, ora relativizando essa oposição. Nosso percurso parte de algumas dessas formulações na Inglaterra do início do século 17 para, em seguida, se deter com mais demora nas elaborações de Swift e Diderot acerca do fanatismo e do entusiasmo, de início a meados do século XVIII, mostrando que a própria filosofia, frequentemente entendida como o avesso do fanatismo ou da loucura, pode também converter-se em seu outro quando cede ao entusiasmo.