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A fundação da vida política em Maquiavel

Rodrigo Tesser

Autor
Rodrigo Tesser
Revista
Revista DIAPHONÍA
Edição
3 / 2
Ano
2017
DOI
10.48075/rd.v3i2.18634
Páginas
41-53
Idioma
pt
2017Rodrigo Tesser. A fundação da vida política em Maquiavel. Revista DIAPHONÍA, v. 3, n. 2, p. 41-53, 2017.1

O homem é um ser egoísta e que tudo deseja, razão pela qual somente pode ver os outros homens como rivais à plena satisfação de seus desejos. A ideia de comunidade política, portanto, não mais aparece como um acontecimento necessário em razão da natural condição humana. Não obstante, o mundo histórico mostra que a vida coletiva eclodiu e, efetivamente, se perpetuou no tempo. Assim, o problema que nos deparamos é saber como o governante, através de suas próprias ações políticas, pode superar os obstáculos que emergem nesse mundo contingente e atingir a máxima eficácia, alterando a realidade caótica e beligerante dos homens dispersos para criar uma coletividade política livre e duradoura no tempo. A fundação da vida política, ação humana mais importante, é a que conjuga os termos fortuna e virtù, pois, para Maquiavel, o confronto entre fortuna e virtù é um cabo-de-guerra que condicionará o sucesso ou o insucesso da ação política. A fortuna é o acaso, significando a oportunidade criativa para o homem de virtù. E a virtù significa a capacidade de obter bons resultados políticos. Assim, a fundação da vida política terá, por base, a extraordinária virtù de um homem.