A genealogia do desejo na História da sexualidade de Michel Foucault
Antônio Alex Pereira de Sousa, Cristiane Maria Marinho
- Autor
- Antônio Alex Pereira de Sousa, Cristiane Maria Marinho
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 17 / 1
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.36517/arf.v17i1.95552
- Páginas
- 108-117
- Idioma
- pt
Este artigo analisa a constituição histórica do desejo na obra História da sexualidade de Michel Foucault, composta por quatro volumes: A vontade de saber (1976), O uso dos prazeres (1984), O cuidado de si (1984) e As confissões da carne (2018). O estudo argumenta que, para Foucault, o desejo não é uma essência universal ou natural, mas uma construção histórica, variável conforme os regimes de verdade de cada época. Por meio de uma abordagem genealógica, o filósofo investiga como o desejo foi progressivamente medicalizado, psiquiatrizado e moralizado na modernidade, transformando-se em um operador central dos dispositivos de sexualidade. Em contraste, na antiguidade greco-romana, os prazeres ocupavam papel ético, sendo regulados por práticas de si e não por dispositivos normativos centrados no desejo. Ao percorrer os quatro volumes da obra, o texto mostra como Foucault desnaturaliza a sexualidade e oferece ferramentas críticas para problematizar os modos contemporâneos de subjetivação, especialmente em relação às sexualidades dissidentes. A investigação evidencia, assim, a relevância de uma história crítica do desejo para desativar os mecanismos que sustentam normas e exclusões nas sociedades modernas.
