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A genealogia intersubjetiva da responsabilidade: sensibilidade como locus da epifania em Emmanuel Levinas

Marília Mendonça de Souza Leão Santos

Autor
Marília Mendonça de Souza Leão Santos
Revista
Revista DIAPHONÍA
Edição
2 / 1
Ano
2016
DOI
10.48075/rd.v2i1.14638
Páginas
36-59
Idioma
pt
2016Marília Mendonça de Souza Leão Santos. A genealogia intersubjetiva da responsabilidade: sensibilidade como locus da epifania em Emmanuel Levinas. Revista DIAPHONÍA, v. 2, n. 1, p. 36-59, 2016.2

O presente ensaio consiste numa breve exegese genealógica da responsabilidade – princípio da heteronomia em que se arraiga a doação ética de sentido – no pensamento filosófico de Emmanuel Levinas. A partir da radicalização da sensibilidade entabulada pelo fenomenólogo francolituano, propomo-nos a demonstrar, inicialmente, a estratificação da subjetividade em Totalidade e Infinito (1961), contemplando seus momentos basilares e distintivos desde o registro pré-objetivo da fruição: a personificação na hipóstase, o envolvimento nas ocupações da existência econômica e, subsequentemente, a relação face a face; encontro com a infinitude enigmática do Outro, que confere ao sujeito uma investidura responsável. Dessa feita, encaminhamo-nos para o assentamento definitivo da subjetividade que, em Outramente que Ser ou Mais-Além da Essência (1974), se verte na própria responsabilidade; imbricada à proximidade e à substituição, dá-se como vulnerabilidade afetiva e experiência imediata da transcendência. Tendo exposto o norte investigativo e as modalizações da subjetividade com vistas à sua concreção como responsabilidade intransponível e inalienável pelo Outro, apontamos para o estatuto originário da sensibilidade na ética metafenomenológica levinasiana. Em oposição à ilogicidade e à minoridade outorgadas pela tradição filosófica ocidental, a sensibilidade emerge aí como condição de possibilidade da eticidade e horizonte genético de toda a significação.