- Autor
- João Carlos Salles Pires da Silva
- Orientador(a)
- Arley Ramos Moreno
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 1999
O objeto da tese é a gramática das cores na obra de Ludwig Wittgenstein (1889-1951). Logo, a atenção volta-se para o uso normativo de palavras descritivas da experiência cromática, perfazendo assim tarefa característica de uma fenomenologia na medida em que seu alvo são as condições de sentido e não a verdade da percepção...O modo original de Wittgenstein de tratar a identidade da cor logra definir-se apenas em um percurso extenso, cujos pólos são, por um lado, a tentativa de resolver, de 1929 a 1932, um impasse outrora formulado no Tractatus (especialmente, no aforismo 6.3751) e, por outro, a sofisticada composição da Bemerkungen über die Farben, em 1950...Em resumo, a tese mostra então por que Wittgenstein acreditou necessário explorar o espaço das cores e como ele o fez extensa mas distintamente sobretudo nesses momentos. Assim, a tese evidencia seu modo enfim não-fenomenológico de tratar de problemas fenomenológicos, de descrever relações internas dispostas à visão, e o sentido de sua negação de uma fenomenologia, centrada no enunciado do paradoxo de Goethe...A tese evidencia que o tema das cores coincide com a trama mais profunda da obra, tendo inclusive servido à maturação ou introdução de conceitos que lhe são essenciais. Com isso, os resultados específicos dessa investigação gramatical podem iluminar questões centrais da filosofia de Wittgenstein, como a natureza da necessidade, a autonomia da gramática, a relação entre jogos de linguagem e formas de vida. Assim, mais que uma alegoria, a cor é exemplo (e privilegiado) do movimento da obra inteira.
