- Autor
- Bernardo Carvalho Oliveira
- Orientador(a)
- Eduardo Jardim de Moraes
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2011
A princípio não existe razão para considerar a filosofia de Nietzsche de um ponto de vista político, em virtude sobretudo de seus elogios à escravidão e a um individualismo estético que despreza o caráter mediador e humanitário da política moderna. Caberia, portanto, insistir na afirmação de que há uma dimensão política em sua crítica da cultura, mesmo após os mal-entendidos e acidentes que fizeram de Nietzsche um autor problemático para o pensamento político? Se sua crítica da cultura detecta na política moderna mais um sintoma do niilismo moderno, pode-se perceber também, nesta mesma crítica, uma dimensão política intrínseca, vinculada a outras possibilidades de cultivo e aperfeiçoamento da cultura e dos indivíduos. A preocupação com a constituição de uma cultura forte o suficiente para afirmar e projetar uma vida ativa e criadora é “pano de fundo” e princípio geral para qualquer avaliação da política em Nietzsche tanto no que diz respeito à apreciação que ele faz da situação política de seu tempo quanto nas possibilidades de efetivação da “grande política”.
