- Autor
- Paulo Martines
- Revista
- Basilíade - Revista de Filosofia
- Edição
- 4 / 8
- Ano
- 2022
- DOI
- 10.35357/2596-092X.v4n8p103-125/2022
- Páginas
- 103-125
- Idioma
- pt-BR
O objetivo deste artigo é mostrar a convergência de fé e razão no pensamento de Anselmo de Cantuária, explicitada em termos de uma inteligência da fé, como o esforço humano para entender, ainda que parcialmente, aquilo que a fé diz a respeito de Deus. Espiritualidade e filosofia não se separam no pensamento de Anselmo, de modo que a fé é aquela atitude que abre as portas de um saber teológico que se desenvolve no plano da razão. Como monge beneditino, Anselmo reconhece e vive plenamente o retorno para si mesmo entendido como introspecção: recolher-se para silenciosamente buscar a Deus. O tratado Proslogion (1078) apresenta-se como uma meditação sobre o ser de Deus, cujo itinerário reflexivo busca “razões” daquilo que inicialmente é acolhido pela “fé”. Tentarei mostrar que esse itinerário da inteligência da fé é fruto (I) da espiritualidade monástica do monge, (2) da qual o Proslogion é a sua principal manifestação.
