A intermediação entre o certo e o provável na psicologia antipsicologista de Sartre
Gabriel Gurae Guedes Paes
- Autor
- Gabriel Gurae Guedes Paes
- Revista
- Philósophos - Revista de Filosofia
- Edição
- 30 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5216/phi.v30i2.83690
- Idioma
- pt
A crítica de Sartre ao idealismo de Husserl se faz, no âmbito mais geral da obra sartreana, pela defesa de uma filosofia que, tomando a liberdade como fundamento ontológico incontornável da realidade-humana, não pode se apartar de um mundo vivido de situações concretas. No entanto, partindo da crítica ao idealismo, nos colocamos em um âmbito mais específico, o da psicologia fenomenológica. Sartre não pode dissolver a realidade do mundo em um idealismo porque isso seria também eliminar a possibilidade de elaborar uma psicologia fenomenológica. E não são apenas as situações mundanas que não podem ser eliminadas, mas também a realidade do corpo. O corpo, na psicologia fenomenológica, funciona como um intermediário entre dois campos que não se confundem: os fundamentos fenomenológicos (o certo) e os fatos psicológicos (o provável). Com essa estratégia, Sartre elabora algo enunciado pelo próprio Husserl, isto é, uma psicologia de fundamentos fenomenológicos.
