A investigação da ação moral e a fundamentação filosófica da tolerância em Pierre Bayle
JOSÉ RICARDO SOUSA RODRIGUES
- Autor
- JOSÉ RICARDO SOUSA RODRIGUES
- Orientador(a)
- JOSÉ RAIMUNDO MAIA NETO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2011
O ponto de partida deste trabalho é a apreensão bayleana distintiva dos aspectos especulativos e prático da razão. De um lado, a operação de uma razão teórica imperfeita que, pretendemos a configuração do conhecimento, em razão das limitações estruturais do homem (dualidade cartesiana e apreensão da realidade pelos sentidos), permitia o concurso da fé como recurso a apresentar resposta para questões cognitivas irrespondíveis pela razão. De outro lado, a operação da razão em seu aspecto prático, onde se situa a tese filosófica bayleana de que ela é capaz de identificar a liberdade de consciência, proclamar a tolerância e julgar os princípios subjacentes ao ato moral. Esta tese está dividida em oito capítulos. O Capítulo I apresentará o quadro histórico em que se inserem as inquietações filosóficas bayleanas, mormente no que concerne aos debates religiosos e políticos da França nos séculos XVI e XVII e de seus expatriados por motivos de crenças. No capítulo II, exporemos um trabalho panfletário de Bayle contra as perseguições religiosas e na defesa da liberdade de consciência como valor político e moral. O Capítulo III põe em destaque a denúncia da superstição e identificação da natureza plural da motivação das condutas humanas, bem como o papel da razão neste trabalho de desvendamento. No Capítulo IV, um dos eixos de nossa investigação, defendemos que Bayle apresenta uma fundamentação filosófica para a liberdade de consciência e para a tolerância. Conjugando-se ao capítulo anterior, o Capítulo V explicita o papel da razão nesta fundamentação filosófica e como ela melhor se exemplifica no caso da tolerância. O Capítulo VI acompanha Bayle no delineamento de uma concepção de razão adequada para esta fundamentação que ele pretende fazer das ações morais. Os Capítulos VII e VIII, enfim, sondarão as relações que esta razão capaz das operações acima engendrará com o ceticismo e com a libertinagem erudita.
