A LINGUAGEM DO INEFÁVEL: MÚSICA E AUTONOMIA ESTÉTICA NO ROMANTISMO ALEMÃO
MARIO RODRIGUES VIDEIRA JUNIOR
- Autor
- MARIO RODRIGUES VIDEIRA JUNIOR
- Orientador(a)
- MARCO AURÉLIO WERLE
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2009
O presente trabalho tem como objetivo principal investigar o problema da autonomia estética da música instrumental no Romantismo alemão. Através do exame de textos filosóficos, literários e de crítica musical, procuramos investigar a seguinte questão: como foi possível que a arte musical – que até o século XVIII era considerada como um objeto “indigno” para a filosofia e para a estética – se estabelecesse como a esfera mais elevada do espírito humano no Romantismo e no Idealismo alemão? A fim de responder a essa pergunta, pareceu-nos necessário levar em conta a maneira pela qual se compreendia a música no século XVIII e qual o conceito de razão que estava em sua base. A principal hipótese que procuramos explorar diz respeito à filosofia crítica de Kant, que permitiu que o pensamento encontrasse um paradigma na música. Com a chamada “revolução copernicana”, Kant acentuou a subjetividade de maneira radical, abrindo, pela primeira vez, a possibilidade da música ser reconhecida como uma linguagem não-objetiva, que foi desenvolvida principalmente por autores como Wackenroder, Tieck e Hoffmann. Todavia, as condições de possibilidade para a compreensão da música como “expressão do inefável”, bem como a proximidade que se estabelece entre música e religião, devem ser buscadas primeiramente na filosofia kantiana.
