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A literatura no contexto da revolução estética concebida por Jacques Rancière

Nadier Pereira dos Santos, Joana Kelly Marques de Souza

Autor
Nadier Pereira dos Santos, Joana Kelly Marques de Souza
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
13 / 1
Ano
2016
DOI
10.31977/grirfi.v13i1.695
Páginas
87-108
Idioma
pt
2016Nadier Pereira dos Santos, Joana Kelly Marques de Souza. A literatura no contexto da revolução estética concebida por Jacques Rancière. Griot : Revista de Filosofia, v. 13, n. 1, p. 87-108, 2016.2

A partir da perspectiva dos três regimes de identificação das artes propostos por Jacques Rancière, a literatura ocupa um lugar central na superação do regime poético, ou representativo, pelo regime estético. Para Rancière, o realismo de escritores como Hugo, Balzac, Stendhal e Flaubert subverte as hierarquias e pressupostos normativos vigentes no regime poético das artes. A partir desses autores, qualquer assunto ou qualquer pessoa, isto é, pertencente a qualquer condição social, podem vir a ser tratados como objeto literário sério, o que pode ser encarado enquanto a democracia em literatura. Também se valendo de análises de Erich Auerbach, o presente trabalho tem por objetivo explicitar como esse processo se deu, tentando mostrar por meio de alguns exemplos a maneira pela qual a literatura passou a ser desenvolvida em um espaço no qual as hierarquias dos temas e das ocupações sociais são quebradas e no qual se passa a denunciar a igualdade sensível de qualquer um. De um ponto de vista político-filosófico, Rancière promove aproximações à universalidade do juízo estético kantiano e à posterior proposta de Schiller no que diz respeito a uma educação estética da humanidade que retira dessa igualdade sensível o princípio de uma nova liberdade.