A METÁFORA DO ATOR NO ESTOICISMO E SUA RECEPÇÃO NO MANUAL DE EPICTETO
Brenner Brunetto Oliveira Silveira
- Autor
- Brenner Brunetto Oliveira Silveira
- Revista
- Prometeus - Journal of Philosophy
- Edição
- 18 / 50
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.52052/issn.2176-5960.pro.v18i50.24941
- Idioma
- pt
O presente artigo investiga a metáfora do ator no estoicismo, compreendendo-a não como um recurso meramente retórico, mas como uma estrutura conceitual fundamental da ética estoica. Partindo de antecedentes cínicos, especialmente de Bion de Borístenes, o estudo reconstrói a progressiva elaboração dessa metáfora em Zenão de Cítio, Ariston de Quios, Panécio de Rodes e sua recepção no Manual de Epicteto, bem como sua reaparição em Sêneca e Marco Aurélio. Em Ariston, a metáfora do ator exprime a indiferença ética absoluta diante dos papéis contingentes, enfatizando a neutralidade interior do sábio; em Panécio, ela é sistematizada na doutrina das quatro personae, funcionando como método heurístico para a deliberação prática dos officia; em Epicteto, a metáfora é aprofundada por meio das noções de prosōpon, schésis e ónoma, articulando papel, relação e identidade normativa na determinação do kathēkon. Por fim, o artigo mostra como, no estoicismo romano, a metáfora do ator se vincula à reflexão sobre a morte, concebida como a saída serena de cena ao término do drama da vida. Assim, viver bem consiste em representar bem o próprio papel segundo a razão, e morrer bem em aceitá-lo com gratidão e conformidade ao logos cósmico.
