- Autor
- DIOGO DE FRANCA GURGEL
- Orientador(a)
- FERNANDO AUGUSTO DA ROCHA RODRIGUES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2012
O objetivo desta tese é lançar luz sobre o estatuto semântico-cognitivo de um tipo de metáfora, que podemos chamar de """"expressão figurada"""". Trata-se de um recurso de linguagem muito recorrente em momentos cruciais das argumentações filosóficas, como parte de elucidações conceituais ou encaminhamentos metodológicos. Mas, apesar desse papel aparentemente tão relevante, os estudos acerca das metáforas vêm sendo, historicamente, confinados no claustro de uma disciplina tida como menor, a Retórica, onde as metáforas coabitam com toda sorte de técnicas de ornamentação do discurso. Na virada do século XIX para o século XX, a filosofia da linguagem, ao posicionar como ordem do dia o estudo do significado, abriu a possibilidade de uma reparação dessa injustiça histórica. E, dentre os filósofos da linguagem, Ludwig Wittgenstein - ele mesmo um usuário assíduo de metáforas - em suas investigações acerca da natureza do significado a partir do uso dos signos, tinha tudo para elaborar ou dar margem para a elaboração de uma concepção de metáfora que nos permitisse compreender o teor do comprometimento com o conhecimento que esse recurso parece apresentar. Mas, certas ideias desse filósofo mais obstruem do que desobstruem o caminho para considerações mais acuradas sobre o tema. Procurando um meio de superar essa obstrução, submeto a exame uma série de teorias da metáfora - produzidas tanto por autores anglófonos quanto por autores do continente europeu - a partir das quais nos seja dado determinar a possível natureza semântico-cognitiva das expressões figuradas. Não encontro, dentre as teorias de que dispomos hoje, nenhuma que resolva inteiramente o problema. Contudo, reúno algumas pistas que me parecem promissoras - como as teses de que as expressões figuradas são recursos de uso necessário, de que elas são um tipo de erro categorial calculado e de que elas atuam efetuando o resgate de categorias formadas a partir de um modo pré-objetivo de pensamento. Parto destas teses, procurando apresentar uma concepção de linguagem que nos permita compatibilizar as informações reunidas, de modo a solucionar o problema.
