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A MÍSTICA ESPECULATIVA A PARTIR DA METÁFORA DO OLHAR EM DE VISIONE DEI DE NICOLAU DE CUSA (1401-1464): speculative mystic based on the metaphor of gaze in de visione dei by Nicholas of Cusa (1401-1464)

Klédson Tiago Alves de Souza

Autor
Klédson Tiago Alves de Souza
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
13 / 1
Ano
2020
DOI
10.25244/tf.v13i1.2402
Páginas
147-165
Idioma
pt
2020Klédson Tiago Alves de Souza. A MÍSTICA ESPECULATIVA A PARTIR DA METÁFORA DO OLHAR EM DE VISIONE DEI DE NICOLAU DE CUSA (1401-1464): speculative mystic based on the metaphor of gaze in de visione dei by Nicholas of Cusa (1401-1464). Trilhas Filosóficas, v. 13, n. 1, p. 147-165, 2020.6

Este artigo busca discutir acerca da experiência mí­stico-especulativa que Nicolau de Cusa (1401-1464) propõe aos monges de Tegernsee para os conduzir à "sagrada obscuridade" ou "teologia mí­stica". O autor estava motivado pela discussão do século XV, sobre se se deveria entender a visão contemplativa de forma meramente afetiva ou intelectual. Esse debate envolvia dois grandes partidários de ambas perspectivas, respectivamente, Vicente de Aggsbach e Gerson. Após troca de cartas, Nicolau de Cusa envia aos monges beneditinos o De visione dei (1453) e um quadro que representa "a figura de alguém que tudo vê" denominado por ele "Ícone de Deus". Destarte, a partir da experiência de olhar um quadro, cuja pintura traz a peculiaridade de o olhar pintado acompanhar aquele que o olha, Nicolau os leva a especular sobre a experiência do olhar de Deus que não abandona e acompanha todos e cada um. Logo, o caminho proposto no De visione dei é uma verdadeira "condução pela mão" (Manuductio) para que os monges, segundo as suas capacidades, alcancem a experiência mí­stica: do olhar finito do quadro ao olhar infinito que é o próprio olhar de Deus. O artigo, portanto, dentro do âmbito da filosofia de Nicolau de Cusa mostra a via reflexiva que parte da experiência da finitude até a mais alta e profunda especulação que o homem pode vir a fazer: contemplar o divino.