- Autor
- Átila Brandão Monteiro
- Revista
- PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
- Edição
- 16 / 39
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.26694/pensando.vol16i39.6851
- Páginas
- 33-50
- Idioma
- pt
Este artigo propõe uma leitura do pensamento de Friedrich Nietzsche em que a moral é compreendida como uma “semiótica dos afetos”, ou seja, como expressão simbólica de determinadas configurações pulsionais historicamente consolidadas em forma de valores. Explicitando o procedimento genealógico desenvolvido pelo próprio Nietzsche, a investigação busca interpretar os valores morais não a partir de sua validade normativa, mas a partir de sua proveniência, função e efeitos sobre a vida. A análise é conduzida por uma abordagem filosófico-conceitual, centrada na leitura crítica de obras como Genealogia da moral, Além do bem e do mal e O crepúsculo dos ídolos, e mobiliza ainda comentadores contemporâneos. Parte-se da hipótese de que os valores morais atuam como sintomas de uma organização afetiva específica do corpo e da cultura, expressando formas de obediência e interiorização que produzem o “indivíduo moral”. A tipologia entre moral dos senhores e moral dos escravos permite avaliar os efeitos dos valores sobre a potência vital, servindo como critério para um diagnóstico filosófico das formas de vida. O artigo pretende ressaltar que Nietzsche não visa fundamentar uma nova moral, mas interpretar a moralidade enquanto linguagem simbólica dos afetos e prática histórica de organização da vida.
