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A nova retórica de Chaïm Perelman

Ramon Rebouças Nolasco de Oliveira, Danielle Freitas de Souza

Autor
Ramon Rebouças Nolasco de Oliveira, Danielle Freitas de Souza
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
6 / 2
Ano
2013
Páginas
37-45
Idioma
pt
2013Ramon Rebouças Nolasco de Oliveira, Danielle Freitas de Souza. A nova retórica de Chaïm Perelman. Trilhas Filosóficas, v. 6, n. 2, p. 37-45, 2013.6

Propõe-se abordar, neste trabalho, o pensamento do filósofo Chaïm Perelman e sua Nova Retórica, como um resgate da antiga retórica de Aristóteles, compreendida como arte dos discursos. Em Perelman, a retórica não é simplesmente a arte de persuadir pelo discurso, mas também de analisar e identificar os meios para fazê-lo, ajudando na estruturação e elaboração dos argumentos. Nesta retórica, assim, participam a demonstração e a lógica formal, quando admitidas as verdades das premissas da argumentação. Todavia, a retórica diz respeito mais à adesão do que à verdade, voltando-se ao auditório ao qual é direcionado o discurso. Diante da ausência de provas evidentes, Perelman propõe um método baseado na argumentação, no conhecimento do auditório, de suas premissas e capacidades de adesão. Perelman distancia-se das correntes positivistas (dogmatismos) e cepticistas, classificando-se numa filosofia do "meio-termo", do razoável, pois não busca verdades absolutas nem se contenta com o pensamento de que não há afirmações corretas. Desse modo, basta-lhe um argumento suficiente, que seja contestável, porém não contestado, que se baseie na razoabilidade do homem comum e seja capaz de persuadir o auditório a quem se dirige. A noção aristotélica de dialética é retomada por Perelman para enfatizar a importância das premissas prováveis, proposições tópicas, opiniões (doxa) aceitas por "todos" ou por uma maioria qualificada. O seu "Tratado da Argumentação" (2005) explora a lógica dos julgamentos de valor, situando-se num terceiro caminho, entre racionalidade apodí­tica e ontologia vazia: na argumentação, que não nega certa racionalidade. Perelman rompe com o racionalista cartesiano, trabalha com o raciocí­nio dialético, mas reconhece que não se argumenta diante da evidência, mas do verossí­mil/provável/plausí­vel, fora das certezas.