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A nuance cosmológica do ateísmo de Arthur Schopenhauer: a infinitude da matéria e a impossibilidade da existência de Deus

Antunes Ferreira da Silva

Autor
Antunes Ferreira da Silva
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
18 / 1
Ano
2026
DOI
10.36517/arf.v18i1.96578
Páginas
65-84
Idioma
pt
2026Antunes Ferreira da Silva. A nuance cosmológica do ateísmo de Arthur Schopenhauer: a infinitude da matéria e a impossibilidade da existência de Deus. Argumentos - Revista de Filosofia, v. 18, n. 1, p. 65-84, 2026.2

Este artigo analisa uma das nuances do ateísmo presente na filosofia de Arthur Schopenhauer, chamada de ateísmo cosmológico. Tal nuance (a primeira de três) decorre da sua concepção de matéria e da consequente negação que tal concepção acarreta à existência de um Deus criador. Schopenhauer concebe a matéria como eterna, incriada e imperecível, dotada de dupla natureza: como Materie (substância permanente) e Stoff (estados mutáveis). Tal distinção mostra que as mudanças ocorrem apenas nas formas fenomênicas, enquanto a matéria em si permanece inalterada e infinita. O artigo demonstra que essa concepção nasce da influência de outros filósofos como Aristóteles (para  qual a matéria pode ser entendida como devir) e Spinoza (para o qual a matéria é uma substância única e absoluta). Ao identificar a matéria com o absoluto, Schopenhauer acaba por refutar a a prova cosmológica da existência de Deus, pois, se a matéria é eterna e causa de si mesma, resta impossível que tenha sido criada. Assim, a filosofia schopenhaueriana torna-se incompatível com este aspecto do teísmo cristão, sustentando uma visão de mundo em que o universo e a Vontade são incriados, eliminando a necessidade de uma causa divina, o que desemboca num ateísmo cosmológico.