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A percepção do tempo

William James, Renato Duarte Fonseca

Autor
William James, Renato Duarte Fonseca
Revista
Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211]
Edição
7 / 16
Ano
2023
Páginas
251-282
Idioma
pt-BR
2023William James, Renato Duarte Fonseca. A percepção do tempo. Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211], v. 7, n. 16, p. 251-282, 2023.1

Nos próximos dois capítulos, tratarei do que por vezes se denomina percepção interna, ou percepção do tempo e de eventos enquanto ocupantes de uma data no tempo [a date therein], especialmente quando essa data é passada, em cujo caso a percepção em questão recebe o nome de memória. Para lembrar-se de uma coisa como passada, é necessário que a noção de ‘passado’ seja uma de nossas ‘ideias’. Veremos no capítulo sobre a Memória que muitas coisas são pensadas por nós como passadas não devido a alguma qualidade intrínseca sua, mas antes porque são associadas a outras coisas que, para nós, significam pretericidade [pastness]. Mas como essas coisas adquirem sua pretericidade? Qual é a origem de nossa experiência de pretericidade, a partir da qual obtemos o sentido do termo? É essa questão que se convida o leitor a considerar no presente capítulo. Veremos que temos um sentimento [feeling] constante, sui generis, de pretericidade, pelo qual cada uma de nossas experiências acaba por vez capturada. Pensar em uma coisa como passada é pensá-la entre os objetos ou na direção dos objetos que, no momento presente, mostram-se afetados por essa qualidade. Essa é a origem de nossa noção do tempo passado, na base da qual a memória e a história constroem seus sistemas. E neste capítulo consideraremos apenas esse sentido imediato de tempo.