- Autor
- Bianca Vilhena Campinho Pereira
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 34
- Ano
- 2018
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i34.1244
- Páginas
- 229-248
- Idioma
- pt
Ao analisar o Teeteto, é notável a relevância filosófica dada por Platão ao pensamento de Protágoras. Nossa investigação do diálogo inicia-se pela concepção protagórica do aparecer, phantasia, e é a partir dela que abordaremos o tema do sonho presente na obra, bem como a própria teoria do sonho apresentada por Sócrates no fim do diálogo. Protágoras sustenta a irrevogabilidade do aparecer e esta tese nos coloca diretamente no problema da distinção entre sonho e vigília, uma vez que, com ela, o sofista evidencia a impossibilidade de o homem tornar-se algo, experimentar a si mesmo, sem que a exterioridade ou algum tipo de sensação ou até mesmo um sonho se apresente. É uma concepção orgiástica, fusional e espectral da percepção e de todo aparecer, e é com esta teoria que Sócrates está rivalizando.
