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Teses

A possibilidade de uma fenomenologia hermenêutica do sagrado a partir de Paul Ricoeur e Rudolf Otto

BRUNO ODÉLIO BIRCK

Tese
Autor
BRUNO ODÉLIO BIRCK
Orientador(a)
Ricardo Timm de Souza
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2003
2003BRUNO ODÉLIO BIRCK. A possibilidade de uma fenomenologia hermenêutica do sagrado a partir de Paul Ricoeur e Rudolf Otto. 2003. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Ricardo Timm de Souza.2

A presente tese objetiva dar uma resposta positiva à questão das condições de possibilidade de uma Fenomenologia hermenêutica do sagrado. Essa tarefa implica a aproximação de duas tradições filosóficas: a Fenomenologia e a Hermenêutica. Mais especificamente, trata-se da articulação entre a Fenomenologia do sagrado, de Rudolf Otto, e a Hermenêutica simbólica, de Paul Ricoeur. Otto descreve o sentimento ou o estado de alma do homem religioso, o numinoso, para o qual busca uma relação com o discurso racional. Em tal intento, o autor apela para a teoria do esquematismo de Kant. A Hermenêutica de Ricoeur, por sua vez, desloca essa problemática para o campo semântico, numa esfera pré-reflexiva. Isso implica uma conjunção entre Fenomenologia e Hermenêutica, como expressa o autor, """"o enxerto da Hermenêutica na Fenomenologia"""". A tese consiste na articulação entre os autores na trilha da Hermenêutica simbólica, que produz dois resultados: primeiro, a relação entre o racional e o não-racional (sentimento numinoso) encontra na semântica do duplo sentido do símbolo uma estrutura teórica melhor que no esquematismo kantiano; segundo, o sentimento numinoso leva a Hermenêutica a uma Ontologia mais radical, ou seja, a emoção religiosa instaura um nível de realidade pré-lingüística. O desenvolvimento dessa problemática segue as três etapas do projeto de Ricoeur: a etapa semântica, a etapa reflexiva e a etapa existencial. Entre a semântica dos símbolos (linguagem) e a vivência do sagrado (Ontologia) coloca-se a mediação da reflexão filosófica. Na etapa reflexiva dá-se propriamente o momento da conciliação dialética entre a ambigüidade do duplo sentido do símbolo e uma existência que é ambígua, pois o sentimento religioso circula simultaneamente entre a repulsão e de atração. Os conceitos de arqueologia e teleologia formam a estrutura dialética do sujeito capaz de acolher a ambigüidade das expressões simbólicas, quanto o paradoxo da existência que se revolve simultaneamente entre a repulsão e a atração. O conceito hegeliano de """"jogo de forças"""" confere o dinamismo dialético ao sujeito que tem uma arqueologia e uma teleologia e, assim, se constitui numa lógica do duplo sentido, tornando-se a condição de possibilidade de articulação entre a Hermenêutica dos símbolos do sagrado e a Ontologia do sentimento numinoso.