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A PROSA DE DORA - UMA LEITURA DA ARTICULAÇÃO ENTRE NATUREZA E CULTURA NA FILOSOFIA DE MERLEAU-PONTY

SILVANA DE SOUZA RAMOS

Tese
Autor
SILVANA DE SOUZA RAMOS
Orientador(a)
MARILENA DE SOUZA CHAUI
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2009
2009SILVANA DE SOUZA RAMOS. A PROSA DE DORA - UMA LEITURA DA ARTICULAÇÃO ENTRE NATUREZA E CULTURA NA FILOSOFIA DE MERLEAU-PONTY. 2009. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): MARILENA DE SOUZA CHAUI.2

O presente trabalho objetiva oferecer uma leitura da articulação entre natureza e cultura na filosofia de Merleau-Ponty. Em primeiro lugar, mediante o estudo das obras dos anos 1940, mostramos o caráter problemático da manutenção de uma perspectiva da consciência que impede o filósofo de dar conta da não separação entre fato e essência. Em linhas gerais, mostramos, por um lado, que a Structure du comportement e a Phénoménologie de la perception comportam uma concepção de natureza entendida como plenitude e atualidade; por outro lado, a aparição do cogito tácito – responsável por unificar as operações expressivas – deixa claro que o simbólico só pode ter lugar na ordem humana. Em segundo lugar, investigamos como a reabilitação do conceito de natureza (atrelada à discussão sobre a historicidade do sentido, iniciada nos anos 1950) permite a Merleau-Ponty conceber o Ser natural como vida e como “avanço criador”. Este movimento permite alastrar a expressão a todos as dimensões da experiência – desde as naturais até as culturais – de modo que a cultura possa ser engrenada à produtividade da natureza. Por fim, mediante a análise do problema da intersubjetividade em Merleau-Ponty, discutimos como a compreensão de um Ser relacional pode ensejar uma teoria da individuação e do reconhecimento. Para tanto, centramos nossa leitura na apropriação merleau-pontiana de alguns elementos da psicanálise. Trata-se de mostrar que o corpo humano carrega matrizes simbólicas opacas – ou um sistema de equivalências carnais – que guiam o desejo do sujeito e sua conseqüente formação, de modo que a experiência humana – assim como o Ser no qual ela se desenrola – guarda sempre um avesso de latência cujo desvelamento exige um discurso interrogativo que encontra seu modelo na experiência psicanalítica.