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A QUESTAO DO SIGNIFICADO COGNITIVO E A RELAÇÃO ENTRE CIENCIA E METAFISICA

MARCELLO SOUZA COSTA NEVES KOUDELA

Tese
Autor
MARCELLO SOUZA COSTA NEVES KOUDELA
Orientador(a)
ALBERTO OLIVA
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2001
2001MARCELLO SOUZA COSTA NEVES KOUDELA. A QUESTAO DO SIGNIFICADO COGNITIVO E A RELAÇÃO ENTRE CIENCIA E METAFISICA. 2001. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): ALBERTO OLIVA.3

Desde o advento do método científico, a epistemologia tem-se dedicado a esclarecer uma questão de crucial importância: quais são os traços distintivos que conferem à racionalidade científica sua especificidade diante dos demais projetos expressivo-cognitivos? Na tradição empirista, Bacon inaugurou uma tendência segregacionista com relação ao modo de conceber a geração e a justificação das teorias da ciência, excluindo qualquer possibilidade de intercâmbio ideacional entre ela e outras modalidades interpretativas. Os neopositivistas, mais preocupados com a questão da justificação das teorias do que com a sua gênese, conceberam seu critério de demarcação entre ciência e não-ciência também como critério de significatividade. Procurando compreender a racionalidade científica através da análise da estrutura da linguagem utilizada pela ciência, ele presumiram a assignificatividade dos enunciados incapazes de vincularem-se a conteúdos empiricamente identificáveis, o que lançava por terra, por si só, qualquer pretensão de interação entre a ciência e as modalidades expressivas em que encontram-se inseridos tais enunciados. Popper, rompendo tanto com o observacionalismo genético baconiano, como com a concepção segregacionista da racionalidade científica, foi capaz de estatuir a significatividade de enunciados componentes de projetos cognitivos não-científicos, tais como a metafísica, admitindo inclusive a possibilidade de que eles possam contribuir decisivamente para a gênese de teorias científicas. Rejeitando como pseudoproblemas as discussões acerca da significatividade cognitiva, limitou-se a endossar a tese de que tais enunciados podem adquirir conteúdo empírico, dando origem a hipóteses científicas. As alegadas origens metafísicas da teoria heliocêntrica de Copérnico parecem oferecer um interessante exemplo histórico a subsidiar tal tese popperiana, embora não pareçam poder ser satisfatoriamente compreendidas à luz da mesma, enquanto não forem explicados os mecanismos epistêmico-semânticos viabilizadores de tal migração conceitual. A """"Nova Filosofia da Ciência"""", perfilhando teses lingüísticas e semânticas apropriadas, estendeu essa possibilidade de intercâmbio entre distintas tipologias cognitivas ao contexto da avaliação das teorias científicas. Todavia, Popper, ao procurar eludir as questões semânticas vinculadas às suas concepções, não esclareceu a natureza do significado que atribui às asserções metafísicas. Ainda que não empírico, não deverá ser ele de tipo cognitivo? E como pode, eventualmente, tornar-se empírico? A fundamentação da epistemologia popperiana, em especial da tese do reaproveitamento científico de conteúdos metafísicos, demanda, a nosso ver, uma teoria do significado cognitivo compatível com os pressupostos semânticos nela tacitamente operantes.