A RELAÇÃO DE TERCEIRO TIPO E A IMPOSSIBILIDADE DO “EU” NO PENSAMENTODE MAURICE BLANCHOT
Camilla Muniz
- Autor
- Camilla Muniz
- Revista
- Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia
- Ano
- 2017
- Idioma
- pt-BR
Resumo: Blanchot em A conversa infinita: a palavra plural se debruça na questão do Fora –conceito esse que irá permear toda a sua obra, tanto os ensaios quanto as críticas. Na busca de esclarecer esse conceito, Blanchot depara-se com a questão da alteridade, que é a dissipação do eu. Essa experiência é fundamental para o desenvolvimento da teoria blanchotiana que remete ao neutro, à escrita como ferramenta de transposição e até mesmo de criação de novas realidades, a realidade da ficção. O centro de minha abordagem para esclarecer essa questão será um passeio. Pelo que o autor denominou de relação de terceiro tipo onde essa relação não está ligada ao uno, não remete à unidade e nem a unificação. Tal unidade refere-se ao primeiro tipo de relação onde a unidade passa pelo todo, assim como a verdade é o movimento do conjunto, afirmação do conjunto como a única verdade, em que o eu quer transformar o outro em idêntico. O segundo tipo de relação a qual ele fará menção e esclarecerá trata-se de uma relação em que não somente essa unidade é sempre exigida, mas acima de tudo ela é imediatamente obtida. Há nesse tipo de relação, diferentemente da relação dialética, uma imbricação a tal ponto que o eu e o outro unem-se imediatamente, o eu e o outro perdem-se um no outro. No entanto, nessa relação, o eu deixa de ser soberano e o outro seria um substituto do Uno. O terceiro tipo trata-se da relação neutra onde ela é um modo de contato em que o Outro está radicalmente fora de meu alcance, na medida em que o Eu se dissolve nessa experiência e o Ele que nessa relação tem lugar não se trata de uma terceira pessoa, trata-se do estranho, do desconhecido absoluto. Logo, a relação neutra nunca remete a uma relação de sujeito a sujeito.
