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A relação entre cultura e biologia na filosofia de Friedrich W. Nietzshce

WILSON ANTONIO FREZZATTI JUNIOR

Tese
Autor
WILSON ANTONIO FREZZATTI JUNIOR
Orientador(a)
SCARLETT ZERBETTO MARTON
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2004
2004WILSON ANTONIO FREZZATTI JUNIOR. A relação entre cultura e biologia na filosofia de Friedrich W. Nietzshce. 2004. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): SCARLETT ZERBETTO MARTON.3

Nietzsche concebe toda produção humana (artística, filosófica, política, religiosa ou científica) como sintoma de estados fisiológicos, ou seja, de determinadas configurações de impulsos. Entretanto, o filósofo alemão considera que aspectos culturais e a educação são responsáveis pela elevação ou decadência do homem. Nossa investigação pretende esclarecer se essas duas perspectivas podem ser conciliadas ou não dentro do próprio pensamento nietzschiano. Tal objetivo envolve indagar a presença ou não de um determinismo biológico ou cultural nos textos nietzschianos. A nosso ver, os estudos que Nietzsche faz da cultura e das condições biológicas ou fisiológicas não ocorrem isoladas uma da outra, pois fazem parte de uma mesma reflexão filosófica: ao considerar que o corpo e a cultura sofrem os mesmos processos por serem resultado de uma hierarquia de impulsos, o filósofo alemão dissolve os limites entre cultura e biologia. Nietzsche utiliza os termos Cultur e Civilisation em vários sentidos, contudo há dois que identificamos como propriamente nietzschianos e que estão em oposição direta: a civilização (Civilisation) como domesticação (Zähmung) e a cultura como cultura elevada (höher Cultur). Apontamos, neste trabalho, uma coincidência entre o processo de surgimento do gênio ou do ?grande homem? e aquele de desenvolvimento da cultura (que denominamos de ?ciclo vital da cultura?). Todos esses temas são compreendidos mediante relações entre impulsos ou quanta de potência: conjuntos mórbidos de impulsos bem hierarquizados produzem culturas ou corpos sadios e elevados (cultura elevada). A elevação de um homem ou de uma cultura é atingida através de uma acumulação de força obtida por meio de um curso histórico atávico. Entendemos que esse atavismo nietzschiano procede por intermédio de uma seleção baseada no conceito neo-lamarckista de adaptação funcional. Propomos que, ao deslocar um mecanismo de evolução orgânica para a cultura e não diferenciar corpo e pensamento, Nietzsche considera um processo que permite mudanças ou uma superação contínua: essa dinâmica, para o filósofo alemão, é a própria vida.